quinta-feira, 17 de julho de 2008

Famosidades: É possível capitalizar com (quase) tudo


Não é preciso ter um grande talento para se sobressair e faturar uma boa quantia. Vale tudo: bizarrice, burrice, currículo amoroso e mais uma extensa lista. Mas é bom saber que o período de holofotes não é eterno, é bom aproveitar a temporada. Veja algumas maneiras de capitalizar de maneira nada ortodoxa:

- Se você tem uma bunda enorme e coxas com dimensões muito acima da média, é muito simples: batalhe para ser dançarina de algum funkeiro em alta e escolha o nome de uma fruta que faça alusão a seus atributos fora de padrão. Pronto! Agora é colher os louros e você já pode alçar vôos sozinha.

- É filho de atores do segundo escalão? Tome nota: se aproxime da filha cantora de cantor sertanejo famoso. Quando o namoro acabar, após a divulgação de "escândalos" em revistas B é só esperar a escalação para Malhação. E se continuar a se envolver com outras famosas, melhor ainda. Grave também um disco e, para isso, não precisa saber cantar. Para se manter anos saindo em sites de subcelebridades é só arrumar confusão vez ou outra.

- Se mesmo após tentar a sorte como modelo ou cantorazinha de grupo feminino e a coisa ainda não engatou, ainda há esperanças. Com um pouco de insistência não é difícil engatar namoro com piloto figurão do automobilismo. Se ele vier a óbito, melhor ainda. Aí que está sua mina de ouro. Escreva (ou pague alguém para fazê-lo) um livro contando sua trajetória e depois de posar pelada vai acabar aparecendo uma vaguinha na TV.

- A fama gerada por um reality show não dura muito, mas se você ficou marcada por sua baixa capacidade intelectual, faça disso seu ganha pão e entre com tudo nesse personagem. Assim você pode entrar em algum programa de humor e se fazer de tonta todo o tempo, o que não é difícil.

- Mesmo se seu tempo de glória, rebolando em um programa de TV, já tiver passado basta pensar em novos rumos, investindo na imagem da coroa enxuta. O mercado pornô está aí e, com a experiência pessoal acumulada ao longo dos anos é só pegar o bonde.

- A era das boy bands passou, mas nem tudo está perdido. Esqueça seu grupinho de passinhos ridículos da década de 80. Invista no consumo de substâncias tóxicas ilegais e construa uma boa e suja ficha policial, assim é fácil dar as caras em programas e revistas de fofocas. O passo seguinte é se converter a alguma igreja evangélica. Quando tudo isso esgotar, envolva-se em novas tretas e diga que teve uma recaída.

3 comentários:

Antonio Silva disse...

A sociedade do espetáculo é realmente a essência da vida dita pós-moderna. Na estressante corrida do dia-a-dia os meios audiovisuais passam a dar o tom da existência. Como vale o show, evidentemente, que o sucesso é o resultado das aparições públicas. Para estar em evidência, seja em qual situação for, mesmo as mais degradantes, vale tudo, é preciso aparecer. De certa forma, o mesmo que os políticos fazem por meio das assessoria de comunicação e o homem comum uso os recursos disponíveis. A pergunta é: haverá fim do espetáculo? Contudo, ainda temos substancialmente parcela da mídia que não é somente sensacionalismo. Parabéns pelo texto.

João Camargo Neto disse...

Ah, então foi só arrumar trabalho de verdade que abandonou o blog?

Consumindo Realidade disse...

Juro que foi um dos textos que mais achei interessante até agora. A ridicularização da vida para conseguir o que a televisão nos faz acreditar ser possível é algo invejável, o sucesso e 15 minutos de fama, mesmo que o tempo de ter a cara na tv não seja tanto.
Só não ri por estar cansado, mas a postagem nos faz lembrar de várias figuras que enganam de cantoras, têm entrevistas pagas só para mostrar a bunda (talvez ela pense pela pessoa) e depois ganham uma bela bolada com apresentações em salões adorados por classes mais baixas. Se bem que muitos filhos de papai adoram fugir da rotina para assistirem a falta de qualidade vocal e o exagero que a mídia faz para divulgar porcarias como melancias, jacas, melões e outras frutas em evidência até a próxima novidade do mundo musical e teatral.
Não abandone o blog.