quarta-feira, 9 de abril de 2008

Seríssimo: “Por trás disso tudo tem gente”




É inevitável não citar nada sobre o caso do assassinato da menina Isabella, já que é impossível ligar a TV ou acessar sites de notícias e não ser bombardeado com notícias referentes ao caso.

Pela manhã, ao acessar o blog de meu amigo e colega João Neto, o Não Existe Pecado, me deparo com a gravação de uma entrevista com Guilherme Fiúza, autor do livro que originou o filme Meu Nome Não É Johnny. Guilherme perdeu o filho, com um mês vida, que acidentalmente caiu da sacada do prédio. A vida dele e da esposa se tornou um inferno, como o que vivem o pai e a madrasta de Isabella.

A gravação (cujo o link está ao final deste post) é algo incrível e que deveria ser ouvida por todos, sobretudo jornalistas e estudantes de comunicação. Nela, Guilherme chama a atenção para o que chamo de novelização de fatos de repercussão pública.

Desde a primeira divulgação do caso Isabella, passou-se a procurar, precipitadamente, os culpados. E hoje, passados 12 dias da morte da criança, constatou-se que as gotas de sangue encontradas no apartamento onde o crime ocorreu não são de Isabella, do pai ou da madrasta. Ou seja: há um elemento desconhecido na história. A essa altura do campeonato, o pai e a madrasta, foram presos, preventivamente, por um delegado afoito e com gosto por lentes de câmeras de vídeo. Além de presos, eles já se encontram massacrados por uma cruel opinião pública, instigada por um jornalismo ávido em escrever roteiros de dramaturgia.

Este caso é uma lição a todos, inclusive a mim, que confesso ter sido levado, até ontem, pelo circo de acusações que foi armado por vários veículos de comunicação.
Pra fechar, duas frases do jornalista Guilherme Fiúza: “É preciso entender que por detrás disso tudo tem gente envolvida”. “A opinião pública é covarde. A opinião pública não tem rosto...”.


Áudio da entrevista realizada na Band News Fm: http://www.bandnewsfm.com.br/conteudo.asp?ID=78136

4 comentários:

Edy Júnior disse...

Fred e Aline, parabéns pela iniciativa. Me tornarei leitor assíduo deste blog.

Abraços

Consumindo Realidade disse...

Eu imagino o que pode acontecer com a vida dos dois após o acontecido ter uma resposta. E se os iniciais culpados, pois nunca foram tratados como suspeitos, estejam falando a verdade e forem inocentes. Engraçado que a sociedade massacra pai e madrasta, mas nem sabe ainda o que aconteceu. Acho que esses dois não terão mais vida social, sejam inocentes ou culpados. Mesmo que não tenham mesmo culpa, seus nomes já são alvo da ira de uma opinião pública manipulada.

Luciana Antão disse...

A vida do pai e da madastra de Isabella jamais será a mesma. Quantos sonhos foram destruídos junto a morte da menina e com a ajuda de uma imprensa suja, que deixa de investigar a vida e o passado das pessoas, desconhecem a realidade dos acusados. Temo que o jornalismo investigativo tenha acabado.
Não quero defender o pai e a madastra, mas, de coração, acredito que eles não sejam os autores dessa barbariedade.
Sou jornalista, e muitas vezes sinto vergonha das atitudes dos meus colegas de profissão.
Parabés pelo Blog. Sucesso!

Luciana Antão

Omilton Junior disse...

Não é a primeira vez que a midia "busca" culpados num papel que não lhe cabe e que em alguns casos ocorre até mesmo pelas deduções precipitadas feitas pela polícia. Não será a última também infelismente.

Quem não se lembra do caso da Escola Base? O casal hoje só tem a idenização por danos morais, mas a imagem pública perdida.

Quem não se lembra do sequestro do garoto em São Paulo? Vizinhos tiveram que depor para inocentar pessoas que nada tinham com o fato mas que tiveram suas imagens execradas.

Quem não se lembra dos julgamentos da mídia até mesmo, pásmem, na política?

Enfim, erros do jornalismo...
Irresponsabilidade? >>>>> Outra questão.